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Histórias que se cruzam no SEFRAS

  • sexta-feira, 22 de maio de 2020

Todos os dias o SEFRAS atende a milhares de pessoas que nos procuram em busca de um alento para a situação de precariedade social em que se encontram. Em média, são 2.000 atendimentos diários que promovem contraturno escolar para crianças e cuidados na primeira infância, convivência e proteção de idosos, atividades socioeducativas e de alimentação para população em situação de rua, acolhimento e inclusão social de imigrantes, além de ações de defesa dos direitos e melhoria de políticas públicas voltadas a esses grupos.

Com a pandemia no novo Coronavírus esse número aumentou para 10.000 atendimentos diários, que se concentram principalmente na questão da garantia da alimentação.  E no meio de tantas histórias de necessidade, consideramos que o mais importante é a preocupação do olhar para o próximo, com um atendimento acolhedor e humanizado àqueles que precisam ser vistos pela sociedade.

Por isso, separamos três histórias de imigrantes que, chegando a um país estrangeiro e desconhecido, foram recebidos aqui no SEFRAS, acolhidos na Casa de Assis (conheça o trabalho da Casa de Assis aqui) para começarem uma nova vida no Brasil.

Nicole Salvador Yenga e seu filho.

Nicole Salvador Yenga, 38

A angolana Nicole começa nossa conversa fazendo questão de falar em português. Quando foi perguntada se preferia dar seu depoimento em seu idioma materno, Nicole disse “vamos falar em português mesmo”, e se esforça para falar a língua do país que ela escolheu para construir uma vida diferente da fome em Angola.

O que mais chama atenção em sua facilidade de se comunicar é que há 11 meses, quando chegou ao país, Nicole não sabia nada a respeito do Brasil. Há 2 meses no SEFRAS, Nicole agradece pelo carinho e acolhimento com o qual foi recebida e diz “eu quero trabalhar. Quero construir um futuro para meu filho, que é brasileiro”.

 

Louvin Ndjali Eliwa, 44 anos

Louvin Ndjali Eliwa

O congolês Louvin tem uma história de resistência e luta. Refugiado político, Louvin fugiu do Congo por ser membro do partido que luta contra o ditador de seu país, o Movimento pela Liberdade do Congo, MLC. Defender seus ideais políticos fez Louvin ser perseguido pelo governo. Hoje ele mora sozinho no Brasil, e sente muita falta dos filhos e da esposa, que ainda estão no Congo.

O técnico de informática diz que “tudo o que eu quero é poder trabalhar, pra juntar dinheiro e trazer minha família para o Brasil. Sou muito agradecido por esse país. As pessoas aqui me receberam muito bem”.

Desde janeiro deste ano no Brasil, Louvin chegou e já foi direto para o SEFRAS. E já está tão adaptado ao país que, além de ter, orgulhoso, seu número de CPF, como cidadão brasileiro, Louvin está se recuperando de um acidente. É que o congolês de alma brasileira quebrou a perna jogando, adivinhem, futebol com seus novos amigos.

Com a perna quebrada Louvin ainda não conseguiu procurar emprego, mas estamos aqui para ajudá-lo a realizar o sonho de ter toda a família reunida novamente. Aos brasileiros, Louvin deixa um agradecimento “eu encontrei aqui uma sociedade com paz, respeito e solidariedade. Quero trabalhar para me integrar mais, quero viver como brasileiro”.

Darin Gongalez Fernández

 

Darin Gongalez Fernández, 26

O cubano Darin acaba de soprar as velinhas do seu aniversário. É o primeiro que ele passa no Brasil, longe da família. Há dois meses no país, Darin veio para o país em busca de trabalho. Hoje ele está com sua namorada, no SEFRAS, e aguarda, ansioso, a oportunidade de conseguir um emprego, para se integrar à sociedade e se sentir ainda mais brasileiro.

 

 

 

Pessoas que saem de seus países por razões diversas. A fome, a pobreza, a guerra civil, a perseguição política. Pessoas que perdem sua identidade nacional e chegam ao Brasil em busca de uma vida melhor. Em busca de trabalho, de sobrevivência. É por essas pessoas, cheias de vida, de sonhos e de histórias que trabalhamos.

Você pode contribuir para dar uma nova história a nossos irmãos. Faça parte da #AçãoFransiscana, seja voluntário, doe, participe. Mesmo em tempos de distanciamento social, podemos estar próximos de construir um mundo melhor.

Esperamos por você!

Fotografia: Danilo Quadros