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XI Semana de Formação Política tem terceiro dia marcado por debates sobre sociabilidade e redes sociais

  • quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O terceiro dia da 11ª edição da Semana de Formação Política, contou com a palestra da professora de sociologia industrial e do trabalho e sociologia urbana da Fundação Santo André, Terezinha Ferrari que abordou o tema sociabilidade e redes sociais. a programação conta com temas variados e relacionados aos desafios do cotidiano e tem como objetivo qualificar o trabalho social e também refletir a prática e a atuação social em diversos campos por meio da educação popular.

Durante sua palestra, Terezinha destacou o quanto este tema é importante diante do grande avanço dos meios de comunicação. “Essa temática é candente, mexe com o nosso cotidiano, nossos hábitos, nossas práticas diárias de comunicação e que muitas vezes fazemos isso acreditando que estamos fazendo por uma necessidade exclusivamente pessoal. Diante dessa posição, um pouco ingênua, nós esquecemos que basicamente essa forma de comunicação chamada de redes sociais é uma forma que está estruturada numa sociedade, que tem uma lógica determinada, imposta e que nos deixa poucas margens de escolha pela estrutura do capital. Essa estrutura exige um tempo mais comprimido possível para execução de atividades da produção, distribuição, circulação e o consumo de mercadorias. O desenvolvimento dessas tecnologias de comunicação ocorreu muito mais em nome da necessidade da produtividade do capital no sentido da sua rapidez, barateamento de mercadorias e também da instantaneidade da própria circulação de consumo das mercadorias, e isso acabou chegando ao nosso cotidiano. E chegou de um modo muito intenso”, destaca.

Segundo ela, esse avanço tecnológico trouxe ao longo da história todos os tipos de benefícios e malefícios. “Nas últimas décadas, a intensificação das tecnologias da informação e inteligência intensificaram bastante o lado negativo, os chamados efeitos colaterais. O desenvolvimento dessas técnicas obedecem muito mais a uma lógica da acumulação do capital do que a lógica de atendimento das nossas necessidades. Estamos imersos, de modo um pouco ingênuos, nesse tipo de uso desses meios de comunicação, que na verdade isso não foi feito para as nossas necessidades, foram feitas realmente para o desenvolvimento de produção de mercadorias. Então não é a toa que você vai encontrar um campo publicitário imenso nas redes sociais em todos os canais”, pontua.

Terezinha acrescenta ainda que isso tem feito com que a população consuma constantemente de modo absurdo o maior número e maior diversidade de mercadorias. “Existe uma certa ingenuidade por parte do consumidor dessas tecnologias, como também algo que não lembramos muito que é a intensificação do trabalho. Essas técnicas não foram feitas apenas para nos comunicarmos, foram feitas para agilizar processos produtivos. E no campo do trabalho, o trabalhador esta conseguindo produzir mais intensamente, exigindo uma concentração mental muito grande e com isso gerando um cansaço muito forte, menos o físico e mais o mental e que, acaba prejudicando todo tipo de relacionamento afetivo, familiar e por si próprio. E gostaria de acrescentar um lado que não se trata só do maleficio da técnica em si, mais do modo e meio em que esta inserida, como é o caso dos benefícios trazidos na medicina que é real. O acesso a essas medicinas que beneficiada por essas conquistas, é pífio e muito pouco democrático. Ainda existe a própria lógica desse sistema que pode ter democratizado as comunicações. Hoje todos podem ter um celular como meio de comunicação, porém não tem acesso a efetivos benefícios dessas conquistas técnicas”, frisa.

Em sua fala, Terezinha também pontou sobre a intensificação do acesso às redes sociais durante essa última campanha eleitoral. “Tenho clareza do uso bastante intenso na última eleição presidencial das redes sociais. O que mudou foi à intensidade, o uso muito claro e seletivo por parte do atual presidente nas redes sociais. E um uso devido e que talvez tenhamos ficado um pouco surpresos pela intensidade com que foi usada e também pela negação dos meios de comunicação tradicionais. Talvez isso esteja apontado para uma nova fase em que as relações politicas estarão inseridas. E a população precisa viver, enfrentar e saber como utilizar isso”, ressalta.

Para finalizar, ela agradeceu ao convite feito pelo Sefras e elogiou a participação dos trabalhadores compartilhando experiências e vivências cotidianas. “Nossa discussão chegou em um momento de relatos e vivências pessoais de cada um nas redes sociais e também da necessidade do uso dessas tecnologias da informação e da comunicação. E isso foi muito interessante, tivemos um pessoal muito atento e participativo e fiquei muito feliz com a recepção de todos os trabalhadores e espero ter trazido também elementos novos para que todos possam raciocinar, pensar e refletir sobre essas novas tecnologias”, finaliza.