COP30: Sefras lança boletim e reforça defesa por justiça climática na Amazônia
- Melissa Galdino
- 10 de nov.
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de nov.
A COP30 começou oficialmente nesta segunda-feira,10, em Belém (PA), reunindo lideranças de todo o mundo em torno do futuro do planeta. Enquanto chefes de Estado debatem metas e acordos climáticos, o Sefras – Ação Social Franciscana reforça um chamado urgente: é preciso garantir que os recursos cheguem diretamente a quem protege a floresta e cuida da Casa Comum.

Em parceria com a Revista Xapuri, o Sefras - Ação Social Franciscana, com o apoio da Fundação Mott, lança o Boletim nº 3, último da série produzida em preparação para a conferência. A publicação aborda o tema do financiamento climático direto para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, e foi elaborada em conjunto com a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia.
O documento será apresentado durante a Cúpula dos Povos, espaço que acontece paralelamente à COP30 e reúne movimentos sociais, povos tradicionais e organizações da sociedade civil de todo o mundo — entre elas, o Sefras, que participa desse diálogo como parte do esforço coletivo por uma transição ecológica justa e solidária.
O boletim destaca que o debate sobre o clima e o financiamento precisa ser conduzido por quem está na linha de frente da luta pela vida e pela floresta, ressaltando o papel das comunidades como guardãs da biodiversidade e da Casa Comum.
Financiamento direto: uma questão de justiça climática
O boletim traz dados que revelam uma realidade preocupante: apenas uma pequena fração

do financiamento climático internacional chega diretamente às comunidades locais. A maior parte dos recursos passa por intermediários — grandes ONGs, agências multilaterais ou governos, o que dificulta o protagonismo das populações que vivem nos territórios e enfrentam diariamente os impactos das mudanças climáticas.
A publicação propõe um novo paradigma: o financiamento direto, que reconhece e fortalece os fundos comunitários autônomos, como o Podáali, o Fundo Babaçu e o Mizizi Dudu, integrantes da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia. Esses mecanismos comprovam que é possível gerir recursos com base na confiança, na governança comunitária e no fortalecimento dos modos de vida tradicionais.
O papel do Sefras na agenda climática

Com 25 anos de atuação e presença nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o Sefras acolhe e defende pessoas em situação de vulnerabilidade, atuando na promoção da justiça socioambiental à luz dos valores franciscanos.
A instituição soma-se agora à Cúpula dos Povos, espaço de resistência e esperança dentro da COP30, reafirmando que não há justiça climática sem justiça social, nem transição ecológica sem escuta e protagonismo dos povos da Amazônia e das comunidades mais vulneráveis.
O Sefras acredita que é possível construir um mundo em que todos os seres vivam em paz e dignidade, compartilhando uma mesma Casa Comum.
Leia o Boletim nº 3 completo – produzido pelo Sefras em parceria com a Revista Xapuri e a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia – clicando aqui.O que traz o Boletim nº 3
Este boletim se soma a uma série dedicada a qualificar o debate sobre a agenda ambiental global dos povos indígenas, quilombolas e comunidades locais (PIPACL) e sua crescente atuação na governança climática internacional — especialmente na disputa por financiamento direto como instrumento de autonomia territorial e justiça climática.
Conteúdo do boletim:
Evolução do financiamento climático e suas assimetrias estruturais
Crítica ao modelo intermediado e às barreiras institucionais atuais
Experiências de fundos comunitários amazônicos e internacionais
Evidências de eficácia ambiental e social da gestão comunitária
Diretrizes e princípios propostos por redes territoriais e plataformas globais
Recomendações e caminhos para fortalecer a arquitetura do financiamento direto
Principais achados e desafios do modelo intermediado:
Concentração de recursos: entre os 50 maiores desembolsos identificados, 31 foram para grandes ONGs, enquanto apenas 2 chegaram diretamente a organizações indígenas e comunitárias.
Marginalização do acesso direto: uma organização de base tem 15,5 vezes menos chance de acessar um grande repasse do que uma ONG tradicional.
Assimetria entre segmentos: o segmento indígena recebe o maior volume total de recursos, mas a maior parte chega via intermediários; enquanto organizações quilombolas, mesmo com menos volume, têm maior proporção de apoio direto.
Burocracia: custos operacionais e administrativos podem consumir até 8% dos recursos, e estudos internacionais estimam que apenas 17% do financiamento global voltado aos PIPACL chega efetivamente à base.
A mensagem é clara: o financiamento direto não é apenas uma demanda política — é uma alternativa comprovada, eficiente e estratégica para resultados climáticos, sociais e territoriais reais.
Essa publicação também celebra a força da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, que segue provando, na prática, que autonomia, confiança e governança territorial geram impacto profundo, duradouro e justo.




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