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XXII Assembleia do Sefras reafirma a ação social como evangelizadora

  • rodrigozavala8
  • há 13 horas
  • 4 min de leitura

Na noite do dia 13 de julho, Frei Vagner Sassi, diretor presidente do Sefras, deu início a XXII Assembleia Anual do Sefras, que aconteceu entre os dias 13 e 16, no Seminário Santo Antônio, em Agudos (SP). O encontro reuniu os frades e as coordenações dos Setores e Casas da Ação Social Franciscana para analisar o contexto sócio-político do trabalho e planejar, de forma conjunta, o futuro da organização e suas estratégias de atuação.


Com o tema “Tijolos de Fraternidade, Sonhos de Justiça", os quatro dias de atividades foram iniciados com uma mística inspirada no lema da Assembleia 2026: “Das dores da exclusão, erguemos pontes de acolhida e esperança”. “Vamos trabalhar inspirados por esse lema e tema, na esteira dos 800 anos da Páscoa de São Francisco, que celebramos este ano. Será um momento forte de trabalho, revisão e construção”, ressaltou Frei Vagner.

Ele também transmitiu a mensagem enviada por Frei Paulo Roberto Pereira, Ministro Provincial da Província da Imaculada Conceição do Brasil, que estava em Angola, para a Assembleia: “Tema e lema, com poesia, indicam a importância do exercício de revisão e atualização da missão do Sefras. Organização e sustentabilidade são projetos convergentes, afinal, sem financiamento os bons projetos são apenas bons projetos”.

 

No segundo dia, o encontro contou com a participação de Ronaldo Pagotto, integrante da Coordenação Nacional do Projeto Brasil Popular. Ele trouxe elementos da conjuntura que interferem no dia a dia do trabalho social: a situação mundial, o panorama do Brasil e os desafios dos próximos anos.

“Nós precisamos recuperar a capacidade de encantar as pessoas com um projeto de sociedade verdadeiramente democrática. Apresentar um horizonte onde o ser humano existe com esperança. Esta não virá dos setores reacionários e dos setores conservadores, pois trazem projetos que, no fundo, justificam os problemas sociais, as crises, como sendo parte da vida e culpa individual. ”

A evangelização como prática transformadora

Frei Gustavo Wayand Medella, Vigário Provincial, contribuiu para a reflexão dos presentes a

partir da “Carta Encíclica - Magnifica Humanitas: Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”, do Papa Leão XIV. Escrita no 135º aniversário da Rerum Novarum, a encíclica aponta para os princípios da Doutrina Social da Igreja: bem comum, destinação universal dos bens, solidariedade, subsidiariedade e justiça social.

“O próprio Papa tem a humildade de reconhecer que isso não é um manual de instruções ou uma fórmula pronta que a Igreja está oferecendo. A Doutrina Social tem essa característica de dialogar com as questões de cada tempo e procura uma contribuição que possa se somar a outras para juntos darmos passos necessários. ”

Entre os assuntos tratados por Frei Gustavo, chamou a atenção as características das lideranças franciscanas, privilegiando uma visão do irmão de caminhada, articulador de redes, contemplativo itinerante e gestor ético. “Ele não é apenas alguém que oferece respostas prontas, um 'mestre'. Ele também se alimenta, se nutre, cresce e amadurece sendo evangelizado pelas pessoas, pelas situações, pelos ambientes. É essa via de mão dupla: evangelizar e ser evangelizado”.

Desafios para a ação social

Após as apresentações, o grupo levantou alguns desafios macros a serem enfrentados a curto e médio prazo pela Ação Social Franciscana, como a precarização das políticas voltadas aos públicos atendidos, as novas relações de trabalho, o posicionamento das bandeiras institucionais, as práticas internas e externas de cuidado com a Casa Comum, o investimento público e os impactos das mudanças climáticas, entre outros.

Nesse contexto, uma das discussões que ganhou destaque foi a apresentação dos resultados do Plano de Sustentabilidade Institucional, que reorganizou a estrutura do Sefras com foco no fortalecimento de sua capacidade de atuação futura. “Ele estabeleceu metas quantitativas de redução de despesas e de fortalecimento das fontes de financiamento da instituição", afirmou Brayan Filipe, coordenador administrativo e financeiro do Sefras.

 

Segundo ele, o resultado da implementação do plano, em 2025, é positivo. No entanto, a mensuração definitiva dos impactos financeiros será consolidada no encerramento do exercício de 2026.


“A iniciativa nos força a pensar a organização como um todo de forma sustentável.”A

preocupação está diretamente atrelada ao Planejamento Estratégico do Sefras (2025-2027), que passou por avaliação e revisão durante a Assembleia. Resultados em relação a processos internos, governança, captação de recursos, gestão de pessoas, uso dos recursos, comunicação e trabalho social foram debatidos em plenária para a atualização do documento e projeção de novos resultados a serem atingidos.

“Tijolos de fraternidade, sonhos de justiça”

 O último dia de encontro contou com uma mística sobre a produção do pão, como metáfora sobre a diversidade de elementos que compõem sua fabricação e, como consequência, da própria ação social. Frei Marcos Estevan de Melo, que conduziu o momento afirmou que o ato de partir o pão carrega um forte sentido de comunidade, hospitalidade e igualdade

“A união de diferentes elementos (farinha, açúcar, sal, óleo e fermento) dá vida à massa do pão. A união de nossas qualidades também faz crescer o nosso trabalho de acolher cuidar e defender.”

Ao finalizar o encontro, o Frei Vagner Sassi enfatizou: “a XXII Assembleia Anual do Sefras se confirmou como espaço abençoado de encontro, convivência, formação e planejamento. Diante do Crucifixo de São Damião, renovamos, com Francisco de Assis e a Província da Imaculada Conceição do Brasil, nossa solidariedade com todos os crucificados do mundo e nosso compromisso com a restauração da Casa Comum, onde todos os seres são respeitados em sua dignidade e convivem em paz.”

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