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Os sinais de Francisco, uma proposta para o Comum

Atualizado: 10 de nov.

Escrito por Talita Guimarães


Quais são os sinais concretos de um tempo de mudança? Quais os sinais que o século XXI exige da humanidade? Quando olhamos para o retrovisor da História, quais foram os principais ensinamentos? Qual figura histórica você tem como exemplo de humanidade e quais seus compromissos para com uma economia da vida?

Essas reflexões e tantas outras, sensibilizaram o encontro Global Economy of Fracesco, ocorrido em setembro na cidade de Assis, Itália.

Este encontro faz parte do chamado realizado pelo papa Francisco, em maio de 2019. Na ocasião em que convidou jovens, economistas e atores da sociedade civil para se comprometerem com uma economia que tenha no centro das suas decisões o cuidado para com a vida e a criação. O compromisso anuncia que é possível a construção de uma política econômica voltada para atender as necessidades da maioria que sofrem e que são descartadas, para irmos ao encontro da Casa Comum.

Para isso é necessário sairmos da primazia da economia de mercado para a economia do cuidado e partirmos de novos princípios, que revelem a fraternidade. Assim, a Economia de Francisco surge com objetivo de aglutinar diferentes atores num pacto pela construção do paradigma do Bem Viver.

O movimento global tem como desafio fortalecer e iniciar processos que pautem as políticas públicas a partir da inclusão via economia solidária, economia feminista, economia dos povos originários. E entre outras que desmistificam a narrativa da possibilidade de apenas uma economia, a de mercado.

O acontecimento contou com a participação de mais de mil pessoas de várias partes do mundo, para trocarem experiências do que vem sendo feito na agenda da Economia de Francisco. Assim como para projetarem perspectivas do presente – futuro em urgência, signatários de um desenvolvimento sustentável, uma economia saudável para a garantia das futuras gerações.

Nesta troca de construções é nítido um destaque: o chamado é amplo e comporta diferentes tendências sobre o tema, a partir do que cada território evidencia como contraponto à economia que exclui.

Na cidade de Assis, o carisma da ascese de Francisco e Clara, toma de mistério os seus becos e ruas medievais e se revela para cada um de maneira insólita e irradiante. Sinais e contraponto de uma economia contemporânea marcada pela exclusão que a cada ano deixa milhares de jovens sem perspectivas.

Logo, fica dedutível entender o porquê da figura paradigmática que encarnou Francisco, o jovem de Assis, rompeu com as convenções feudais para ir ao encontro dos mais pequeninos, dos leprosos, os excluídos, os considerados mortos em vida. Neste reconhecimento de si, encontrou no excluído a integridade com toda a criação. E colocando-se assim, para além do seu tempo, ao mesmo tempo que encontrou com as primeiras comunidades cristãs, paradoxalmente atualizando o testemunho do Cristo ressuscitado e perseguido por evidenciar o próximo com o sagrado do amor.

Hoje, estamos sofrendo o impacto de um modelo econômico perverso, é necessário frisar que a exclusão faz parte da engenharia deste sistema, ele funciona a partir de desigualdades sociais e não pela remuneração equilibrada dos seus fatores de produção como previa seus primeiros teóricos.

Por isso que essa forma de organização social, não tem servido para continuar a conduzir as decisões políticas, o dados são alarmantes, segundo dados da Oxfam, apontam que a renda de 99% das pessoas diminuíram nesses últimos anos, parte destas pessoas se encontram em situação de miserabilidade, enquanto a renda dos mais ricos duplicou. No Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, parte significativa da população 33 milhões de pessoas passam fome, quase um terço da população.

Voltamos aos olhos dos desafios do nosso tempo e o marco temporal da agenda da Economia de Francisco, para repactuarmos o compromisso com a ação em nossos territórios, na mensagem final, papa Francisco, evidenciou a junção necessária das três linguagens do pensamento, do sentimento e da ação. Assim, sejamos “semeadores de uma outra economia”, sentinelas de um tempo de escuridão passageira, o sol está ali! O Papa Francisco, finaliza convocando para a ação: olhar o mundo com os olhos dos mais pobres, não esquecer o trabalho e os trabalhadores, traduzir valores e ideais em obras concretas.

O caminho está sendo animado e construído por tantos que encarnam na vida o compromisso para uma outra sociedade. Seguimos como sentinelas do Comum, na construção objetiva do Bem Viver. Eis o grande legado desta proposta de mobilização do Papa Francisco, à luz do signo histórico de Francisco de Assis, o santo dos pobres, da natureza e do diálogo com o sonho da grande Fraternidade Universal.

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