Sefras cria rádio para explicar eleições de 2026 a pessoas idosas em Pindamonhangaba

As eleições de 2026 se aproximam e, para ampliar o acesso a informações sobre o processo eleitoral, a Casa de Clara de Pindamonhangaba, serviço do Sefras – Ação Social Franciscana, criou a Rádio Vozes da Terceira Idade. A iniciativa reúne participantes do Percurso Formativo do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Pessoas Idosas em rodas de conversa, pesquisas e gravações sobre o funcionamento das eleições e as atribuições dos cargos que estarão em disputa. Das 58 pessoas cadastradas no Percurso, 49 participaram das atividades, e três pessoas do NCI também se somaram às gravações, totalizando 52 participantes.
O projeto começou em julho e segue até o final de setembro. Ao todo, serão sete episódios. Os cinco primeiros já estão disponíveis no site do Sefras e os dois últimos serão publicados na próxima semana.
A proposta surgiu a partir da necessidade de ampliar o acesso a informações sobre o processo eleitoral, especialmente diante da quantidade de cargos que serão escolhidos em 2026 e das barreiras que podem dificultar o acesso de parte da população idosa aos conteúdos disponíveis na internet.
No primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o eleitorado escolherá presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. A votação terá seis escolhas na urna, incluindo dois senadores. Um eventual segundo turno, restrito às disputas de presidente e governador, ocorre em 25 de outubro, caso nenhuma candidatura alcance mais da metade dos votos válidos no primeiro turno.
Informação para além da internet
A Rádio Vozes da Terceira Idade foi pensada como uma ferramenta de formação, mas também como um espaço de troca entre as participantes. Antes de cada gravação, o grupo realiza debates sobre o tema do episódio. Na semana seguinte, as participantes fazem a leitura dos roteiros e realizam a gravação.
O processo é acompanhado pela equipe técnica da Casa de Clara, responsável pelo levantamento de dados e materiais de apoio, construção dos textos e roteiros e orientação das atividades. A educadora social conduz os debates, auxilia nas gravações e realiza a edição dos episódios.
Os conteúdos são elaborados a partir de informações de fontes oficiais, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e portais de transparência.
Para a Irmã Dora, coordenadora da Casa de Clara, oferecer esse tipo de informação dentro da própria Casa é uma forma de proteger as pessoas idosas da desinformação que circula nas redes. "É importante a Casa fazer esse trabalho para informar de forma simples, dinâmica e segura, porque o acesso às redes sociais e à TV é para poucos, e muitas vezes as informações chegam por fake news e, em vez de ajudar, confundem as decisões das pessoas", afirma.
A iniciativa também considera as características do público atendido pela Casa de Clara. Muitas das participantes têm idade superior a 70 anos e, portanto, não estão mais sujeitas à obrigatoriedade do voto. Nesse contexto, a proposta também busca discutir o papel das pessoas idosas como cidadãs e sujeitos de direitos, considerando que as decisões tomadas no processo eleitoral têm impacto sobre as políticas públicas e a vida da população.
"A sociedade hoje tenta camuflar a voz das pessoas idosas, com um discurso de que a opinião delas não conta, de que já não precisam mais votar ou de que são dependentes e outros decidem por elas. Nosso compromisso aqui na Casa é fortalecê-las nesses debates e incentivá-las a participar das questões políticas", diz Irmã Dora.
Amanda Lobato Osório, educadora social responsável pela condução das rodas de conversa, viu de perto essa mudança de postura entre as participantes. "Muitas tinham desistido de votar por terem completado 70 anos, mas, ao longo do projeto, reconheceram o seu papel dentro da democracia e o seu direito à cidadania. Depois do percurso, passaram a levar a discussão sobre o voto e as eleições também para os espaços familiares", conta.
O que já foi discutido
O primeiro episódio apresenta informações básicas sobre o voto e o processo eleitoral. Entre os temas estão a história do voto, os tipos de votação, o funcionamento da urna eletrônica e as diferenças entre voto nulo e outras formas de manifestação do eleitorado.
Episódio 1 — História do voto, tipos de votação e urna eletrônica

Na segunda edição, a conversa se concentra no cargo de deputado federal. O episódio aborda as atribuições dos parlamentares e pontos que podem ser observados pelos eleitores na hora de conhecer o cargo e as funções de quem ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Episódio 2 — Deputados federais

O terceiro episódio trata dos deputados estaduais, com foco nas responsabilidades desses parlamentares e na atuação da Assembleia Legislativa. O conteúdo também apresenta informações sobre o orçamento estadual e o papel do Legislativo na realidade do estado.
Episódio 3 — Deputados estaduais

Já o quarto episódio é dedicado ao Senado Federal. As participantes conversam sobre as atribuições dos senadores e sobre a particularidade das eleições deste ano: em 2026, serão escolhidos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, totalizando 54 das 81 cadeiras da Casa.
Episódio 4 — Senadores

O quinto episódio aborda o cargo de governador, responsável pelo Poder Executivo nos estados e no Distrito Federal. A conversa apresenta as funções do cargo e sua relação com a administração e as políticas públicas estaduais.
Episódio 5 — Governadores

Os dois últimos episódios da série, serão publicados nas próximas semanas e completarão o percurso formativo proposto pela equipe da Casa de Clara.
Da gravação para a vida cotidiana
Da gravação para a vida cotidiana
Além dos conteúdos produzidos, a experiência tem provocado mudanças na própria relação das participantes com a atividade. Segundo a equipe, a gravação dos episódios passou a ser também um espaço para enfrentar a timidez, compartilhar experiências e fortalecer os vínculos construídos no serviço.
"No início, as participantes ficaram bem tímidas, mas, com o incentivo das colegas, as gravações acabaram fluindo de forma divertida. O medo do erro foi se dissipando e dando espaço para a confiança, para o novo, para o gosto de se ouvir e de reconhecer as colegas", relata Amanda.
A produção ainda ultrapassou os encontros da Casa de Clara. As participantes passaram a compartilhar os episódios com familiares e amigos, ampliando as conversas sobre os temas discutidos durante as atividades. Para a assistente social Victória de Menezes Cassiano, responsável pelo planejamento da atividade, esse movimento mostra que o objetivo foi alcançado. "Nas eleições, acompanho muita produção de conteúdo, ora fake news, ora conteúdos qualificadíssimos, mas o que será que está chegando realmente para nossas famílias? Nossas avós estão fazendo parte dessas discussões? Por isso, ouvir que elas estão compartilhando com seus familiares e círculos comunitários atinge o objetivo do trabalho", afirma.
Amanda lembra de uma participante que ilustra bem esse movimento. "Em uma das rodas, ela me contou que a família não acreditava que ela pudesse estar fazendo algo tão importante, porque considerava que política era um assunto difícil e ela não tinha concluído o ensino básico. No fim, virou motivo de muito orgulho dentro da família", diz a educadora social.
A proposta integra o trabalho desenvolvido pela Casa de Clara a partir da educação popular, buscando relacionar informações e conteúdos técnicos às experiências e conhecimentos trazidos pelas próprias participantes. "Elas possuem suas histórias, suas vivências e seus acúmulos, e os debates vêm no sentido de potencializá-las. Sempre incentivo que essas mulheres estejam em todos os espaços de discussão a que têm direito", diz Victória. Com isso, a Rádio Vozes da Terceira Idade se tornou também um espaço de escuta, debate e construção coletiva de conhecimento.




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