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Sefras sedia encontro da rede de assistĂȘncia social em Mogi das Cruzes

  • rodrigozavala8
  • 29 de dez. de 2023
  • 5 min de leitura
Assistentes sociais na formação para profissionais de gerontologia.

Na Ășltima semana, foi realizado o ‘Projeto de Formação para profissionais da Rede de AssistĂȘncia Social em Gerontologia’ na Casa de Clara - Mogi das Cruzes, serviço do Sefras voltado para a população idosa. A ação foi promovida pela Coordenadoria Municipal do Idoso de Mogi das Cruzes e ministrada por MarĂ­lia Berzins, do ObservatĂłrio da Longevidade Humana e Envelhecimento (OLHE).

Com o objetivo de promover uma formação sobre envelhecimento para trabalhadores de polĂ­ticas pĂșblicas da cidade, a ação debateu temas como: o que Ă© envelhecimento no mundo e no Brasil e quais sĂŁo as projeçÔes de envelhecimento e polĂ­ticas pĂșblicas de envelhecimento. AlĂ©m da elaboração de uma anĂĄlise de conjuntura sobre o atendimento de em polĂ­ticas pĂșblicas da população idosa do municĂ­pio, com uma proposta de olhar o que a gente tem e aquilo que pode melhorar.

Estiveram presentes trabalhadores de ĂĄreas como da saĂșde, esporte e assistĂȘncia social. AlĂ©m de Juraci Fernandes, vice-presidente do Conselho Municipal do Idoso de Mogi das Cruzes.

Como Ă© envelhecer no Brasil

Marília Berzins, mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP e assistente social, afirmou no seminário “Desafios e Perspectivas de Políticas no Atendimento à Pessoa Idosa”, realizado pelo Sefras em junho deste ano, que:

No Brasil, os idosos tĂȘm direito a velhice, mas nĂŁo a uma velhice de direitos.

Aqui, a população idosa estå em constante crescimento. Em 2023 jå temos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, mais de 33 milhÔes de pessoas acima dos 60 anos. De acordo com o Instituto de Pesquisa EconÎmica Aplicada (Ipea), nos próximos 90 anos, cerca de 40,3% da população brasileira serå composta por pessoas idosas, totalizando cerca de 60 milhÔes de pessoas acima dos 60 anos.

Documentos como o Estatuto do Idoso e a prĂłpria Constituição Federal de 1988 buscam garantir direitos bĂĄsicos Ă  população idosa, como: trabalho, vida, saĂșde, alimentação, educação, dignidade, convivĂȘncia familiar e comunitĂĄria etc. Ainda temos a PolĂ­tica Nacional do Idoso, que assegura direitos sociais e estabelece condiçÔes para promover autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.

Entretanto, apesar de existir legislação que garanta determinados direitos, as polĂ­ticas pĂșblicas voltadas para o acesso dos mesmos sĂŁo, muitas vezes, mal trabalhadas e nĂŁo universais. O que, somadas ao sucateamento de serviços pĂșblicos como o SUS, resultam no aumento da vulnerabilidade social, polĂ­tica e econĂŽmica dos idosos.

Ainda, segundo relatório da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), divulgado em 2019, maioria dos crimes cometidos são feitos por familiares. Sendo que 65% dos suspeitos são os próprios filhos.

De acordo com o documento, o tipo de violĂȘncia mais comum Ă© a negligĂȘncia (41%), quando os responsĂĄveis pelo idoso deixam de oferecer cuidados bĂĄsicos como higiene e medicamentos. Seguida da psicolĂłgica (24%), que incluem comportamentos que prejudicam a autoestima ou bem-estar do idoso, como xingamentos e constrangimentos.

Ainda hĂĄ o abuso financeiro (20%), com a exploração imprĂłpria ou ilegal dos recursos financeiros e patrimoniais do idoso, sem seu consentimento. Fora esses tipos de violĂȘncia, ainda existem: violĂȘncia fĂ­sica, sexual, emocional, social e abandono.

Segundo o Disque 100, em 2019 foram denunciadas 48.500 violaçÔes contra idosos ao longo do ano. Valor que, em 2020, aumentou em 59%, totalizando 77.115 denĂșncias. É importante ressaltar, ainda, que esses nĂșmeros ainda nĂŁo representam a realidade da população idosa brasileira, devido a alta subnotificação.

Frente a esse cenĂĄrio, MarĂ­lia fez um apelo lembrando que vai chegar a vez dos mais jovens ficarem velhos e que vamos precisar de garantias e apoio do governo.

Comprometer-se com a idade Ă© se comprometer com a causa do idoso. E essa Ă© uma luta de todos, jovens e velhos. Pois todos um dia serĂŁo idosos.

Contexto das pessoas idosas em Mogi das Cruzes

Segundo a Prefeitura de Mogi das Cruzes, em 2022, a cidade contava com 58.186 pessoas idosas. A pesquisa ainda mostrou um enorme salto entre as pessoas com mais de 90 anos, em 2010 eram 609 e nesse Ășltimo censo eram 1.348.

Segundo Yamin Alves, coordenadora da Casa de Clara - Mogi das Cruzes, “o pĂșblico idoso representa hoje um total de 16% da população total da cidade, e Ă© fundamental que os trabalhadores da rede direta de atendimento tenham cada vez mais formaçÔes  e preparo para lidar com essa demanda que vai aumentar a cada dia”.

O prĂłprio governo municipal reconhece que as polĂ­ticas pĂșblicas destinadas a essa população devem acompanhar o seu crescimento. Apontando como causas mais frequentes de vulnerabilidade social das pessoas idosas o abandono e o isolamento social, decorrentes da fragilização ou da perda dos vĂ­nculos de pertencimento.

A Prefeitura tambĂ©m reafirma a necessidade da contĂ­nua oferta de serviços, projetos, programas e açÔes que possibilitem o fortalecimento dos vĂ­nculos familiares e comunitĂĄrios, bem como a superação de situaçÔes de vulnerabilidade. E o ‘Projeto de Formação para profissionais da Rede de AssistĂȘncia Social em Gerontologia’ entra como uma dessas iniciativas.

NĂŁo sĂł em Mogi das Cruzes, mas no Brasil como um todo vemos o aumento da expectativa de vida da população, com isso a população idosa estĂĄ crescendo. No futuro, teremos um aumento nas demandas de atendimentos nos serviços e nas polĂ­ticas pĂșblicas destinadas Ă  essa população, e esse evento tem fundamental importĂąncia no processo de formação dos trabalhadores, afirma Yamin.

Essa atuação Ă© parte do projeto maior do Sefras para os idosos de Mogi. Por meio da Casa de Clara, a instituição busca nĂŁo sĂł a emancipação e a garantia de acesso aos direitos da pessoa idosa, como tambĂ©m contribuir para a construção de uma sociedade mais solidĂĄria e inclusiva, na qual todos – independente de idade, gĂȘnero, raça ou classe social – se sintam valorizados e apoiados.

Assim como o serviço de Mogi, as casas em Pindamonhangaba e em SĂŁo Paulo, que tambĂ©m trabalham com pessoas idosas, atuam a partir da mesma missĂŁo. Por meio delas, o Sefras promove o protagonismo e a inserção social de mais de 300 pessoas idosas por meio de atividades interdisciplinares, como oficinas de artesanato, dança e atividades fĂ­sicas, alĂ©m de seminĂĄrios e palestras sobre temĂĄticas que tange esse pĂșblico. AlĂ©m disso, ainda Ă© incentivada a participação polĂ­tica na luta pelos prĂłprios direitos e o das prĂłximas geraçÔes de pessoas idosas que estĂŁo por vir.

O Sefras

O Sefras é uma organização franciscana que luta todos os dias no combate à fome, a violaçÔes de direitos e inserção econÎmica e social de populaçÔes extremamente vulneråveis: pessoas em situação de rua, crianças pobres, imigrantes e refugiados, pessoas idosas sozinhas e pessoas acometidas pela hanseníase.

Guiados pelos valores franciscanos de Acolher, Cuidar e Defender, atua pelo Brasil atendendo mais de 4 mil pessoas todos os dias. SĂŁo serviços diĂĄrios que promovem apoio social e jurĂ­dico para população em situação de rua, acolhimento e inclusĂŁo social de imigrantes, contraturno escolar para crianças e adolescentes, convivĂȘncia e proteção de idosos, alĂ©m de açÔes de defesa dos direitos e melhoria de polĂ­ticas pĂșblicas voltadas a esses grupos.

VocĂȘ tambĂ©m pode contribuir com o nosso trabalho pelo nosso site ou pelo pix: sefras@sefras.org.br.


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