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Semana de formação política do Sefras mobiliza mais de 100 participantes

  • Foto do escritor: Melissa Galdino
    Melissa Galdino
  • 12 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias


Em um contexto marcado por profundas desigualdades sociais, disputas políticas e desafios para a democracia, o Sefras – Ação Social Franciscana reafirma seu compromisso com a formação crítica e a participação popular. Durante a primeira semana de janeiro, a organização realizou o Curso de Formação Política 2026, reunindo mais de 100 participantes ao longo da semana.


A atividade contou com representantes de diversas organizações sociais, trabalhadores e trabalhadoras que atuam com públicos em situação de vulnerabilidade, além de pessoas que tiveram, pela primeira vez, contato com os temas debatidos, fortalecendo o diálogo entre diferentes territórios, trajetórias e experiências de luta.


Com uma programação diversa, cada dia abordou um eixo formativo distinto, articulando análise de conjuntura, debate sobre violência estrutural, experiências de resistência e a construção de alternativas ao modelo social vigente. O encerramento foi marcado por uma visita guiada à Bienal de São Paulo, com a exposição “Nem todo viandante anda estradas – da humanidade como prática”, inspirada em uma das obras da escritora Conceição Evaristo.


“Ver esta sala cheia reafirma a importância da formação política como espaço de encontro, escuta e construção coletiva. É uma grande alegria para o Sefras receber tantas pessoas comprometidas com a transformação social e com a defesa da vida em todas as suas dimensões”, destacou Rosangela Pezoti,  supervisora técnica do Sefras, na abertura do curso.

Dia 1 – Análise de conjuntura e os desafios para 2026



A abertura do curso contou com a presença de Eduardo Brasileiro, Diretor de Parcerias com a Sociedade Civil da Secretaria-Geral da Presidência da República, que conduziu uma análise de conjuntura sobre o momento atual do Brasil, da cidade de São Paulo e do cenário internacional.


Segundo Eduardo, o espaço foi construído de forma coletiva e participativa.


“A análise de conjuntura é uma grande teia de impressões, reflexões, análises e críticas sobre todo o processo que a gente está vivendo. Foi um espaço de escuta. Eu trouxe linhas e tendências gerais, mas o grupo foi colocando, a partir da sua atuação social, quais são os desafios para a classe trabalhadora seguir se organizando e construir em 2026 um protagonismo dos movimentos sociais na proposição de políticas públicas.”

O debate destacou a necessidade de uma atuação política crítica, propositiva e enraizada nas comunidades, com atenção às questões socioambientais e à construção de um Brasil mais justo para toda a população.


Dia 2 – Violência estrutural e impactos sobre pessoas em situação de vulnerabilidade



O segundo dia teve como tema “Violência estrutural e os impactos nos grupos e pessoas vulneráveis”, com facilitação de Camila Gibin, assistente social e integrante do Núcleo Samaúma.


Camila ressaltou a importância do espaço formativo promovido pelo Sefras e a potência das trocas entre os participantes.


“Discutimos a violência estrutural e as relações sociais capitalistas. Foi muito proveitoso, com ampla participação, a partir das experiências dos territórios e da atuação enquanto trabalhadores e trabalhadoras sociais.”

A reflexão coletiva apontou para a urgência de buscar saídas que enfrentem as raízes das violências, repensando o modo de organização da sociedade.


“Para termos menos formas de machucar e ferir a nós mesmos e aos outros, vamos precisar enfrentar esse modo de produção”, concluiu.

Dia 3 – Experiências para adiar o fim do mundo



O terceiro dia trouxe o tema “Experiências para adiar o fim do mundo”, inspirado nas reflexões de Ailton Krenak, apresentando práticas concretas de resistência e cuidado com a vida.


Peterson Prates, educador popular e agente de pastoral, compartilhou a experiência das Casas de Francisco e Clara, vinculadas à Economia de Francisco e Clara.



“Existem experiências que mostram que é possível adiar o fim do mundo. A partir dos nossos territórios e de cosmovisões diversas, podemos pensar e viver iniciativas que afirmam a vida. É possível viver, e vamos viver.”

Na sequência, o Coletivo Pedagogia Periférica, com Stela Almeida, trouxe reflexões a partir da educação antirracista, da arte e da atuação em escolas, serviços de assistência e movimentos culturais. A educadora destacou a importância de pensar alternativas ao colapso social a partir das periferias, da educação e das práticas culturais, fortalecendo processos de transformação coletiva.


Participação e avaliação dos cursistas


Ao longo dos quatro dias, o curso reuniu pessoas com trajetórias diversas, fortalecendo a troca de experiências entre organizações, territórios e gerações. Para Geisa, assistente social, moradora de Itaquera, na zona leste de São Paulo, e participante de toda a formação, a experiência foi transformadora.


“Estou aposentada há quatro meses e me inscrevi para não perder de vista o conhecimento. O curso foi maravilhoso, contribuiu muito com os conteúdos e com as pessoas convidadas. O Sefras está de parabéns.”

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