Voluntária de Malta passa dias no Chá do Padre e leva experiência do Sefras para a Europa
Aos 19 anos, a maltesa Mireille Bonicci deixou seu país para participar de uma experiência de voluntariado internacional no Brasil. Durante uma semana, ela acompanhou a rotina do Chá do Padre, Casa do Sefras – Ação Social Franciscana, na região central de São Paulo.

A experiência foi realizada por meio de uma parceria entre o Sefras, o Salesian Pastoral Youth Service (SPYS), ligado à Rede Salesiana, e a Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil. Mireille já fazia trabalho voluntário em Malta desde 2022, principalmente com crianças, e buscava conhecer outra realidade e uma nova forma de atuação.
Em sua primeira passagem pelo Brasil, ela conta que se surpreendeu com o tamanho de São Paulo, a cultura de acolhimento e a relação construída entre as pessoas atendidas pelo Chá do Padre, serviço que recebe diariamente mais de 800 pessoas em situação de rua. Nesta entrevista, fala sobre as diferenças entre os dois países e o que levou da experiência.
Confira a entrevista
Sefras: Por que você escolheu o Brasil para fazer voluntariado?
Mireille Bonicci: Eu queria conhecer um lugar fora da Europa. Os países europeus têm culturas parecidas e eu queria ver algo diferente, conhecer outras pessoas. Então pensei: por que não o Brasil?
Sefras: O que mais chamou sua atenção quando chegou?
Mireille: A forma como as pessoas são acolhedoras. Em Malta, quando conhecemos alguém pela primeira vez, normalmente apertamos a mão. Aqui as pessoas abraçam, dão beijo no rosto. No começo foi estranho, mas me acostumei. Agora também faço isso.
Sefras: O que achou de São Paulo?
Mireille: É muito maior e mais movimentada do que Malta. Lá é pequeno e, de certa forma, todo mundo conhece todo mundo. Aqui há muita gente e muito movimento. Até o barulho foi uma novidade: no quarto onde fiquei hospedada, ouvia constantemente carros passando e até metrô. Em Malta, onde moro, é muito mais tranquilo.
Sefras: E o que você não esperava encontrar?
Mireille: Tantas opções de comida e lugares para comprar as coisas. São Paulo tem muitos restaurantes e supermercados. Estou gostando bastante dessa parte.
Sefras: Você já tinha experiência com voluntariado?
Mireille: Sim. Faço voluntariado desde 2022, mas em Malta trabalhava principalmente com crianças. Eu queria conhecer uma organização maior e uma forma diferente de voluntariado.
Sefras: Como surgiu a oportunidade de vir ao Brasil?
Mireille: Vi uma publicação no Instagram do SPYS, em Malta. Participei de uma reunião em que apresentaram os lugares e as possibilidades de voluntariado. Foi assim que conheci a oportunidade.
Sefras: Qual foi sua primeira impressão do Chá do Padre?
Mireille: Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas e com o tamanho do espaço. No começo, era muita gente, todos conversando e andando de um lado para o outro. Depois conheci os trabalhadores, que me explicaram como tudo funciona, e fui me adaptando.
Sefras: O que mais marcou você durante a semana?
Mireille: Ver tantas pessoas em situação de rua reunidas em um mesmo lugar. Quando estamos andando pela rua, vemos uma, duas ou três pessoas. Aqui você vê muitas delas juntas. Isso foi impactante.
Sefras: E como você percebeu a relação das pessoas com o serviço?
Mireille: Elas se ajudam, conversam entre si. É como se fossem uma família. Para muitas delas, este lugar é uma casa, um refúgio do que existe lá fora.
Sefras: Essa experiência mudou sua percepção sobre a situação de rua?
Mireille: Sim. No começo, tudo parecia muito caótico para mim. Depois percebi que, para quem frequenta o espaço, aquela dinâmica é natural. Eles conhecem o lugar e se sentem em casa. Eu também fui me acostumando.
Sefras: O que você contou para sua família sobre o trabalho do Sefras?
Mireille: Expliquei que o Sefras atende diferentes públicos e que existem serviços para crianças, idosos, imigrantes e pessoas em situação de rua. Também contei sobre a alimentação e as atividades realizadas depois das refeições.
Sefras: Você voltaria ao Brasil?
Mireille: Com certeza. Gosto muito das pessoas e da cultura. Também é muito bonito ver quantas pessoas estão dispostas a ajudar. Todos com quem trabalhei foram muito acolhedores e fazem o melhor que podem. Se surgir outra oportunidade, eu voltaria.
Sefras: O que você gostaria de deixar como mensagem depois dessa experiência?
Mireille: Gostaria de agradecer a todas as pessoas que trabalham aqui, por tudo o que fazem, pela comida que preparam, por organizarem as atividades e pensarem em novas ideias para as pessoas atendidas.




Comentários