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Encontro celebra o Dia do Educador e da Educadora no Sefras

Foto do escritor: Melissa Galdino
Melissa Galdino
há 1 dia
4 min de leitura

Educar é também uma forma de cuidar. É estar presente, escutar, compartilhar conhecimentos e construir, com o outro, possibilidades de transformação. Foi com esse espírito que educadores de diferentes serviços do Sefras – Ação Social Franciscana se reuniram, na última sexta-feira (18), na Casa de Clara Belém, em São Paulo, para celebrar o Dia do Educador e da Educadora.



A atividade aconteceu também como parte das celebrações pelo aniversário de Paulo Freire, educador brasileiro cujo pensamento inspira a prática socioeducativa do Sefras. A partir da perspectiva de uma educação construída pelo diálogo e pela valorização dos diferentes saberes, o encontro propôs aos profissionais um momento de convivência, reflexão e troca sobre os sentidos de educar no cotidiano dos Casas.


O amor de educar



Para o Frei Tiago Elias, vice-presidente do Sefras, o trabalho dos educadores passa pelo encontro com o outro e pelo compromisso de transformar a realidade a partir do cuidado e do amor.


"O amor de educar está justamente em acreditar no outro e caminhar junto. No Sefras, nossos educadores fazem isso todos os dias: acolhem, escutam, ensinam, mas também aprendem. São profissionais que, por meio do vínculo e do cuidado, ajudam a construir novas possibilidades de vida. Celebrar os educadores é reconhecer essa missão tão bonita e tão necessária."

A presença dos educadores é fundamental para o trabalho desenvolvido pelo Sefras. A organização atua junto a cinco públicos: pessoas idosas, migrantes e refugiados, crianças e adolescentes, pessoas em situação de rua e pessoas afetadas pela hanseníase. Em cada uma dessas frentes, profissionais desenvolvem atividades, estabelecem vínculos e acompanham diferentes histórias e realidades.


São diferentes públicos, territórios e necessidades, mas existe um ponto em comum: o educador está presente no cotidiano, fazendo a diferença por meio da escuta, do acolhimento e das atividades socioeducativas.


"Ao mesmo tempo que você ensina, você aprende"


Para Letícia, educadora da Casa de Clara de Mogi, atuar como educadora social é uma experiência de transformação que acontece também na vida de quem educa.

"Ao mesmo tempo que você ensina, você aprende. É uma troca, né? A gente aprende, a gente ensina. Ser educador social tem me movimentado para uma pessoa melhor em todos os contextos de vida."

A percepção de que o trabalho é construído a partir da troca também aparece na trajetória de Luiz Carlos Samuel, educador social do Chá do Padre. Há cerca de quatro anos no Sefras, ele conta que uma das principais aprendizagens da profissão está justamente no contato diário com diferentes histórias.

"Todo dia, quando eu me levanto para ir para o trabalho, eu sei que eu vou conhecer uma pessoa diferente, ouvir uma história diferente, ajudar uma pessoa diferente."

Para Luiz, o trabalho também o ensinou sobre humildade, paciência e escuta.

"Eu vou fazendo o que eu posso pelas pessoas, ajudando, ensinando, e também vou aprendendo várias outras coisas, como humildade, como ter mais paciência, como poder sempre estar melhorando para poder ajudar as pessoas."

Já Bráulio Rosa, educador social do Sefras Perfeita Alegria Peri, resume sua atuação como a possibilidade de apresentar novos caminhos sem retirar da pessoa o protagonismo sobre a própria história.

"Ser educador social é eu poder apresentar caminhos de possibilidades para a transformação da vida do outro, permitindo que ele seja protagonista da própria história e do próprio sucesso."


Um encontro para fortalecer quem educa


Durante a tarde, os profissionais participaram de atividades para se conhecer, fortalecer vínculos e refletir sobre a própria prática. Em uma delas, cada educador foi convidado a definir, em uma palavra, o que significa ser educador. Entre as respostas apareceram amor, perseverança, paciência, dedicação e consciência.


Em outro momento, educadores de diferentes casas compartilharam experiências e falaram sobre aquilo que aprenderam com os próprios participantes dos serviços.


A proposta reforçou uma compreensão presente no trabalho socioeducativo do Sefras: o conhecimento não acontece em uma única direção. Quem educa também aprende com as histórias, experiências e saberes das pessoas que acompanha.


Reconhecer quem está no dia a dia



Para Rosângela Pezoti, supervisora técnica do Sefras, o encontro foi também uma forma de reconhecer e valorizar profissionais que estão diariamente na linha de frente dos serviços.


"O educador é esse profissional tão importante, que está sempre na frente dos nossos trabalhos. É ele quem acolhe, quem recebe, quem orienta. É ele quem faz a atividade socioeducativa."


Segundo a supervisora, reunir profissionais de diferentes casas permitiu fortalecer a caminhada dos educadores e criar um espaço para que pudessem compartilhar suas experiências.


Ao agradecer aos profissionais, Pezoti destacou ainda a importância daqueles que constroem, no dia a dia, o trabalho social de forma humanizada.


Paulo Freire e uma inspiração que permanece


A escolha do período para celebrar os educadores também dialoga com a trajetória de Paulo Freire, cujo aniversário é celebrado em setembro. O educador permanece como uma referência importante para a concepção de educação popular e para a valorização dos saberes construídos a partir das experiências de cada pessoa.


Essa inspiração também faz parte da trajetória recente do Sefras. Em junho

deste ano, a organização, em parceria com o Coletivo Paulo Freire, lançou o livro "Paulo Freire: Um Homem Encantado", publicação que reúne memórias, relatos e reflexões sobre a vida e o legado do educador. A obra contou com a participação de cerca de 150 educadores, pesquisadores, ativistas e instituições e aborda temas como diálogo, consciência crítica, valorização dos saberes populares e os Círculos de Cultura.


A publicação nasceu de um projeto iniciado nas celebrações do centenário de Paulo Freire e busca manter vivo seu pensamento a partir das experiências de pessoas e organizações que continuam sendo inspiradas por sua obra.



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