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Parceria entre Sefras e Anchietanum promove experiência de inserção sociocultural em São Paulo

  • Foto do escritor: Melissa Galdino
    Melissa Galdino
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Jovens de todo o Brasil vivem imersão sociocultural com Sefras e Anchietanum em São Paulo

Imagens de arquivo Anchietanum
Imagens de arquivo Anchietanum

Eles chegam de lugares diferentes, com histórias diferentes, sotaques distintos e uma vontade em comum: entender melhor o Brasil real. Durante uma semana, jovens universitários e educadores participaram da Experiência de Inserção Sociocultural, promovida pelo Anchietanum - Centro de Juventude da Companhia de Jesus (Jesuítas), em parceria com o Sefras - Ação Social Franciscana. 


Imagens de arquivo Anchietanum
Imagens de arquivo Anchietanum

A ação acontece há mais de 20 anos e se repete pelo menos uma ou duas vezes ao ano, conectando juventudes a obras sociais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. Em 2026, foram vários voluntários distribuídos entre a Casa Clara, o Chá do Padre e o Recifran.


Antes de irem para as casas, o grupo participou de um dia de formação no Anchietanum, conhecendo a realidade social de São Paulo, os públicos atendidos e a missão do Sefras. A partir daí, a vivência deixou de ser teoria.


Na prática, os voluntários colaboram com limpeza, distribuição de alimentos, oficinas e organização dos espaços. Mas o que mais marca, segundo quem coordena a experiência, é outra coisa: a presença. Estar ali, escutar, chamar pelo nome, dividir o tempo, aliviar o peso do trabalho das equipes e reconhecer a dignidade de quem chega.


Imagens de arquivo Anchietanum
Imagens de arquivo Anchietanum

São Paulo tem hoje quase 100 mil pessoas em situação de rua, segundo o informe técnico do OBpopRua, Observatório da População em Situação de Rua, ligado aos Polos de Cidadania da Universidade Federal de Minas Gerais, e baseados em dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. É a maior população de rua do país. O Sefras atua diariamente para oferecer acolhimento, trabalho, alimentação, orientação social e possibilidades reais de recomeço.


E é nesse cenário que os voluntários vivem uma semana que não termina quando acabam os dias.

“Aqui eu aprendi que existem oportunidades reais de recomeço”

Davi, 22 anos, Ceará

Imagens de arquivo Anchietanum
Imagens de arquivo Anchietanum

Davi saiu do Ceará para viver sua primeira experiência de voluntariado em São Paulo, no Recifran. Ele diz que chegou com vontade de ajudar, mas saiu com algo maior: um novo jeito de olhar para as pessoas.


Na sua cidade, a vulnerabilidade se manifesta de outra forma. Um lixão a céu aberto, sem aterro sanitário, cerca uma comunidade que convive diariamente com fumaça tóxica, animais transmissores de doenças e resíduos perigosos.

Em São Paulo, o choque foi outro. Aqui, além da pobreza, as pessoas enfrentam o frio, a solidão e a invisibilidade. No Recifran, Davi percebeu que não se trata apenas de assistência. Ali, há caminhos. Há trabalho, apoio, reconstrução de vínculos familiares e dignidade.


Para ele, a experiência foi uma virada de chave. Não só social, mas também espiritual. Um aprendizado sobre empatia, convivência e humanidade.


“Eu precisei tirar a fantasia dos olhos para enxergar as pessoas como elas são”

João, 25 anos, Paraíba



Imagens de arquivo Anchietanum
Imagens de arquivo Anchietanum

João veio da Paraíba movido por um ideal que ele mesmo chama de romântico. Queria “ajudar os pobres”, fazer algo bonito.


Mas a realidade do Recifran o atravessou. Ele encontrou homens marcados por histórias de violência, dependência química e rupturas, mas também por esperança, vontade de recomeçar e desejo de dignidade.


João diz que aprendeu a não infantilizar, não sentir pena, não romantizar a dor.

Aprendeu a ver pessoas com direitos, falhas, qualidades e potência. Para ele, existem dois erros comuns: tratar quem vive na rua como coitado ou como ameaça. Nenhum dos dois transforma.

O que transforma é conhecer, escutar, caminhar junto.

Hoje, João define o Sefras não como caridade, mas como um serviço essencial para toda a sociedade. Um farol que mostra que outro jeito de viver em comunidade é possível.


“Não dá mais para esperar que só o governo resolva”

Guilherme, professor, Belo Horizonte


Guilherme é professor e veio de Belo Horizonte para viver essa semana em São Paulo. Ele destaca duas dimensões da experiência no Recifran: a ambiental e a social.


De um lado, a reciclagem correta de resíduos, tão necessária em uma metrópole que produz milhares de toneladas de lixo por dia.

De outro, o mais importante: as pessoas.


Para ele, cada comprimento, cada conversa, cada nome aprendido devolve humanidade a quem foi empurrado para a margem.

Imagens de arquivo Anchietanum
Imagens de arquivo Anchietanum

Guilherme diz que conhecer o Sefras fez nascer um desejo: ver iniciativas assim em todas as capitais. Não apenas para acolher, mas para reconstruir histórias.


Ele acredita que essa semana não é sobre ajudar por alguns dias, mas sobre mudar a forma de estar no mundo.



“Eles são agentes da própria história”

Ângelo, voluntário do Anchietanum


Ângelo define a experiência como um ponto de virada. Para ele, estar no Recifran ao lado do Sefras ampliou sua capacidade de olhar para o outro com mais escuta e menos julgamento.


Ao longo da semana, percebeu que ajudar não é substituir o caminho de ninguém, mas caminhar junto, reconhecendo que cada pessoa carrega sua própria história, suas escolhas e sua força.


Ele sai com a convicção de que a transformação começa quando deixamos de ver apenas a vulnerabilidade e passamos a enxergar a potência que existe em cada pessoa.


Imagens de arquivo Anchietanum
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