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Sefras participa de ato pelo Dia Nacional de Luta e Luto da População em Situação de Rua no Santuário do Cristo Redentor

  • iracemacruz
  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

A iluminação do Cristo Redentor em vermelho encerrou a programação como um gesto de memória, solidariedade e visibilidade para uma população que segue reivindicando o direito de existir, participar e ocupar a cidade com dignidade


Como parte das atividades do Dia Nacional de Luta e Luto da População em Situação de Rua, o monumento do Cristo Redentor foi iluminado em vermelho, na noite de 19 de agosto. O momento marcou o encerramento das mobilizações pela defesa dos direitos dessa população no Rio de Janeiro e contou com a participação do Frei Tiago Elias, vice-presidente do Sefras, e de Thaysa Nascimento, assistente social e coordenadora da Casa Franciscana.



Ao longo do dia, também foram realizadas atividades na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e um ato público na Cinelândia, reunindo organizações, movimentos sociais, trabalhadores, representantes da sociedade civil e pessoas em situação de rua em torno da defesa de direitos e do enfrentamento às violações vivenciadas por essa população.


Para Thaysa Nascimento, a mobilização foi fundamental para ampliar a visibilidade da pauta e sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de políticas públicas que garantam direitos para todas as pessoas: “Junto com a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese do Rio de Janeiro e com o Fórum Permanente de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua, tivemos um dia emblemático. As pautas de saúde, moradia, educação, trabalho e lazer não podem excluir justamente os que mais precisam dessas políticas”.


O Redentor e as “chagas” do povo carioca



O ato no Cristo Redentor ganhou um significado especial para Frei Tiago Elias. Para o vice-presidente do Sefras, a imagem do Cristo, símbolo da cidade do Rio de Janeiro, também convida a sociedade a voltar o olhar para as marcas de sofrimento presentes na vida de tantas pessoas, especialmente aquelas que vivem em situação de rua: “Justamente aqui, nesta cidade do Rio de Janeiro, onde contemplamos diariamente a imagem do Cristo Redentor, podemos também contemplar suas chagas, as marcas de sua redenção. As chagas do Cristo também nos lembram das chagas do povo carioca”.


Frei Tiago destacou que a simbologia do momento reforça a necessidade de olhar para além do cartão-postal e reconhecer as pessoas que vivem nas ruas e enfrentam diariamente situações de fome, abandono, falta de moradia, trabalho e acesso a direitos.


 “Olhando para baixo, podemos ver ainda as marcas, as chagas na vida do nosso povo carioca, principalmente de quem está em situação de rua. É este dia que nos faz voltar o olhar para essas pessoas e questionar tanto o poder público quanto a própria população sobre a necessidade de observar quem está ao nosso redor” – ressaltou.


Segundo o vice-presidente do Sefras, mulheres, idosos e crianças em situação de vulnerabilidade carregam as marcas da fome, do abandono, da falta de moradia, de trabalho e de cuidado e, muitas vezes, também da perda da esperança.


“Que os braços do Cristo Redentor nos inspirem a abrir também os nossos para acolher, escutar, proteger e reconhecer a dignidade do nosso povo” – enfatizou. Para Frei Tiago, a reflexão proposta pela data ultrapassa a dimensão religiosa e convoca toda a sociedade à responsabilidade diante das desigualdades e violações de direitos: “Uma cidade verdadeiramente abençoada não é aquela que apenas contempla o Cristo no alto do morro, mas aquela que enxerga Cristo nas ruas, entre aqueles que mais precisam”.


A iluminação do Cristo Redentor em vermelho reforçou, de forma simbólica, a importância da data e da memória das pessoas que perderam suas vidas em decorrência da violência e da exclusão social. No Rio de Janeiro, as atividades realizadas ao longo do dia 19 reafirmaram que lembrar as vítimas da violência é também fortalecer a luta por uma sociedade em que todas as pessoas tenham seus direitos respeitados e possam viver com dignidade.


19 de agosto: memória, luta e defesa de direitos

Há 21 anos, em 19 de agosto de 2004, um episódio de extrema violência marcou a história da população em situação de rua no Brasil. Conhecida como Chacina da Sé, a série de ataques ocorrida na região da Praça da Sé, em São Paulo, resultou na morte de sete pessoas e deixou outras oito feridas.
A violência sofrida pelas vítimas tornou-se um símbolo da luta contra as violações de direitos enfrentadas pela população em situação de rua. Em memória das vítimas e como forma de fortalecer a mobilização por direitos, o dia 19 de agosto foi instituído como o Dia Nacional de Luta e Luto da População em Situação de Rua.
A data representa um momento de memória, mas também de reivindicação por políticas públicas capazes de garantir acesso a direitos fundamentais, como saúde, moradia, educação, trabalho, assistência social, cultura e lazer.
 

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