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Sefras participa de mobilização em defesa da população em situação de rua em SP e no RJ

  • Foto do escritor: Melissa Galdino
    Melissa Galdino
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 21 horas

Chá do Padre, Recifran e Casa Franciscana participaram das ações do Dia de Luta da População em Situação de Rua, que reforça a defesa da dignidade, da moradia e dos direitos



O Sefras - Ação Social Franciscana participou, nesta quarta-feira (19), das mobilizações do Dia Latino-Americano de Luta da População em Situação de Rua, realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. A data é marcada pela memória das vítimas do Massacre da Sé e pela defesa de políticas públicas que garantam dignidade, moradia e direitos às pessoas que vivem em situação de rua.


Em São Paulo, participaram das atividades o Chá do Padre e a Recifran. No Rio de Janeiro, a Casa Franciscana esteve presente na mobilização. As unidades fazem parte da atuação do Sefras junto à população em situação de vulnerabilidade e desenvolvem ações voltadas à proteção social, alimentação, convivência, trabalho, geração de renda e acesso a direitos.


Para o frei Vagner Sassi, diretor-presidente do Sefras, a presença da organização nas mobilizações reafirma um compromisso que também está presente no trabalho cotidiano das unidades.



“Para que a paz reine entre nós, precisamos reconhecer que a vida de cada pessoa tem o mesmo valor. A paz passa pela dignidade, pelo respeito e pelo compromisso de não aceitar que alguém seja tratado como invisível. Estar ao lado da população em situação de rua é parte do nosso compromisso como Sefras, não apenas neste dia, mas em todos os dias, por meio de um trabalho que busca defender direitos e construir caminhos para uma vida com dignidade.”


Uma realidade que exige políticas públicas


A mobilização ocorre diante de um cenário de crescimento da população em situação de rua no país. Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/UFMG), apontam que 388.855 pessoas estavam registradas como população em situação de rua no Cadastro Único em maio de 2026.


São Paulo registrava 159.290 pessoas e o Rio de Janeiro, 35.406, segundo o mesmo levantamento. Os dois estados estão entre os territórios de atuação do Sefras.

Nas capitais, os números também mostram a dimensão do desafio. Em São Paulo, o levantamento da UFMG registrava mais de 99 mil pessoas em situação de rua. No Rio de Janeiro, o Censo Municipal de População em Situação de Rua de 2024 identificou 8.195 pessoas, entre aquelas que estavam nas ruas e as acolhidas pela rede socioassistencial.


Os números, baseados em registros do Cadastro Único e levantamentos municipais, ajudam a dimensionar uma realidade que demanda ações permanentes do poder público e da sociedade civil.


19 de agosto: memória e luta



O dia 19 de agosto marca os 22 anos do Massacre da Sé, ocorrido em 2004, quando sete pessoas que viviam nas ruas foram assassinadas e outras oito ficaram feridas na região da Praça da Sé, em São Paulo.
A data se consolidou como um momento de memória e mobilização em defesa da população em situação de rua. O lema deste ano, “Parem de nos sufocar. E se fosse você? Dignidade e moradia, já!”, chama atenção para a necessidade de reconhecer a situação de rua como uma questão relacionada às desigualdades sociais e à ausência ou insuficiência de políticas públicas.
Entre as reivindicações apresentadas nas mobilizações estão o fortalecimento da assistência social, a ampliação de políticas de moradia definitiva, a qualificação dos serviços destinados à população em situação de rua e a criação de oportunidades de trabalho e geração de renda.

Um dos participantes do Sefras que esteve na mobilização destacou a importância de dar visibilidade a quem vive essa realidade.

“É importante estar aqui porque muitas vezes parece que ninguém enxerga a gente. Quem está na rua tem uma história, tem família, tem vontade de seguir em frente. A gente passa por muita coisa e, mesmo assim, continua lutando. Eu espero que as pessoas parem para olhar para nós de outra maneira, com mais respeito. Ninguém escolhe passar por tudo isso. Hoje eu estou aqui para lembrar quem perdeu a vida e também para dizer que quem está vivo precisa ter uma oportunidade.”

O trabalho do Sefras



A participação nas mobilizações se conecta ao trabalho realizado diariamente pelo Sefras em seus territórios de atuação.


Em São Paulo, o Chá do Padre oferece atendimento e serviços voltados à população em situação de rua, enquanto a Recifran desenvolve ações de inclusão social e produtiva, com atividades relacionadas à reciclagem, formação e geração de renda.


No Rio de Janeiro, a Casa Franciscana atua junto a pessoas em situação de vulnerabilidade, fortalecendo o acesso à proteção social, aos direitos e à construção de novas possibilidades de vida.


Mais do que responder a necessidades imediatas, o trabalho desenvolvido pelas unidades busca fortalecer a autonomia e ampliar o acesso a direitos. A atuação está alinhada à missão do Sefras de enfrentar desigualdades, promover dignidade e construir respostas sociais para pessoas que vivem diferentes situações de vulnerabilidade.



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