Sefras leva às ruas pautas de moradia, paz e proteção às mulheres no 32º Grito dos Excluídos

O Sefras – Ação Social Franciscana esteve nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro no 7 de setembro para participar da 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. A mobilização, que neste ano teve como lema "Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!", reuniu movimentos sociais, pastorais e organizações da sociedade civil em atos realizados em mais de 50 cidades brasileiras, mantendo o tema permanente "Vida em Primeiro Lugar!".
Em São Paulo, participantes se concentraram na Praça da Sé e caminharam pelo centro até o Largo de São Francisco. Levaram para as ruas as demandas cotidianas das pessoas acompanhadas pelo Sefras a Casa de Assis, a Casa de Clara e o Chá do Padre, que também preparou cartazes com reivindicações e ofereceu café da manhã aos participantes do ato. No Rio de Janeiro, a Casa Franciscana marcou presença na mobilização realizada no centro da cidade.
"Não estamos aqui em nome de político nenhum, nem por bandeiras. Estamos aqui em nome do povo brasileiro", afirmou Frei Tiago Elias, vice-presidente do Sefras, durante o ato em São Paulo. Ele lembrou que a data da Independência também convida a perguntar quem, de fato, vive com liberdade e dignidade no país: "Independência para quem? Tendo tantos sofrimentos, tantas dificuldades, estamos aqui neste ato em favor do povo excluído." Frei Tiago citou ainda quem enfrenta a falta de alimentação, moradia e trabalho: "Estamos aqui juntos com todos aqueles que são menores na sociedade, que sofrem sem pão, sem lar, sem trabalho."

Um grito antigo, urgências atuais
Criado na década de 1990 a partir da articulação de pastorais sociais e movimentos populares, o Grito dos Excluídos acontece todo 7 de setembro propondo uma reflexão sobre o significado da Independência para quem ainda enfrenta desigualdade, violência e negação de direitos. O lema de 2026 coloca no centro quatro questões: terra, paz, moradia e soberania, somadas a um chamado específico pela vida das mulheres, e dialoga com dados que seguem preocupantes no país.
No campo da moradia, o retrato mais recente é o da população em situação de rua. Segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG), com base no Cadastro Único, o Brasil chegou ao fim de 2025 com 365,8 mil pessoas vivendo nas ruas, alta de 11% em relação ao ano anterior. A cidade de São Paulo concentra a maior parcela desse contingente: mais de 101 mil pessoas, o equivalente a 27% do total nacional. Já a cidade do Rio de Janeiro soma, pela mesma metodologia, cerca de 23,4 mil pessoas, 6,4% do total do país, número bem acima dos 8,2 mil apurados pelo censo municipal mais recente, o que expõe divergências entre as diferentes formas de contabilizar essa população.
Na violência contra as mulheres, o Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, recorde da série histórica iniciada em 2015 e média de quatro mulheres mortas por dia. Já o Atlas da Violência 2026, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, contabilizou 3.642 homicídios de mulheres em 2024 (dado que soma feminicídios e outros assassinatos motivados por violência de gênero); embora o número tenha recuado 6,7% em relação a 2023 e a taxa tenha caído 27,7% na última década, o estudo destaca que as mortes ocorridas dentro do ambiente doméstico seguem praticamente estáveis, sinal de que a violência de gênero persiste mesmo diante da queda geral dos homicídios no país.

É diante desse cenário que o Grito dos Excluídos mantém sua proposta de colocar a vida e a dignidade no centro do debate público, e é nele que o Sefras reafirma sua missão. A entidade participa da mobilização sem vínculo com partidos ou candidaturas, levando às ruas as demandas concretas de quem acompanha em seus serviços e projetos: pessoas em situação de rua, migrantes, idosos, mulheres. Para o Sefras, isso significa reafirmar que são sujeitos de direitos, com voz própria para apresentar suas demandas, não apenas beneficiárias de políticas ou serviços.



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