• Equipe SEFRAS - Ação Social Franciscana

Rodrigo Souza, assistente social do SEFRAS, recebe homenagem no Dia Internacional da Juventude

No último dia Dia Internacional da Juventude, 12 de agosto, Rodrigo Souza da Silva, coordenador da Casa Santo Antônio, recebeu da Prefeitura de Tanguá – RJ, recebeu homenagem destaque com o certificado Reconhecimento da Juventude 2022. A homenagem também se estendeu para os jovens atuantes no município nas suas diversas áreas.

Concedida em parceria com as Secretarias Municipal de Juventude do Município, de Comunicação Social e de Esportes, foi homenageada sua atuação na Casa Santo Antonio para a promoção da juventude em áreas como: saúde, educação, esporte, social e cultura.

A homenagem foi feita durante a primeira celebração do Dia da Juventude realizado na cidade. O evento, realizado no Centro de Referência da Juventude, na Praça da Juventude, teve como proposta fortalecer políticas municipais, apresentar os projetos que estão sendo desenvolvidos e proporcionar um encontro entre os jovens da cidade.

Frente tal reconhecimento, fomos conversar com Rodrigo para saber um pouco mais sobre sua história e trajetória profissional.

Quantos anos tem? Há quanto tempo trabalha com assistência social?

R: Me chamo Rodrigo, tenho 30 anos e trabalho na área da Assistência há 8.

Qual foi a motivação que fez com que trabalhasse com pessoas em situação de vulnerabilidade?

R: Minha motivação foi de poder construir e colaborar junto a um público que está cada vez mais excluído da sociedade. E esse grupo tem um recorte e tem uma cara. São as pessoas negras, mulheres, LGBTQIA+, crianças e adolescentes que têm os seus direitos negados.

O que me motiva é ver que esse público realmente precisa de pessoas que possam estar junto, construindo com eles um pensamento crítico. Um pensamento no qual eles possam ter acesso aos seus direitos e com isso ter toda a autonomia de poder buscar sua efetivação.

Como conheceu o SEFRAS? Quanto tempo você está trabalhando na organização? Pode contar um pouco da sua experiência no serviço?

R: Conheci o SEFRAS através de uma divulgação de vaga de trabalho para educador social, da qual participei e acabei sendo selecionado para fazer parte da equipe em 2012, quando o SEFRAS iniciou o trabalho na cidade. Na época estávamos atuando com o Serviço de Acolhimento. Iniciei a trajetória aqui, fiquei 2 anos e meio trabalhando como educador social, e depois saí da organização. Retornei em 2017, também como educador social, mas então tive a oportunidade de estar na coordenação, acabei aceitando e estou até hoje. 

Percebo que durante esse processo, desde que cheguei no SEFRAS, amadureci bastante e fui aprendendo também nessa construção coletiva do trabalho, a importância dessa atuação da organização nesse território. Temos toda uma questão de identidade que fomos construindo junto com as pessoas, com a comunidade e com o poder público. Hoje temos uma visibilidade e reconhecimento do trabalho que fazemos aqui. 

Essa trajetória trouxe bastante frutos positivos, com diversos desafios também, e hoje temos um trabalho com a primeira infância, com a adolescência, com mulheres… atendemos todo um público que realmente precisa de um olhar atento, que o SEFRAS hoje, com todo seu trabalho social, em sua missão, valores e em toda sua metodologia.

Quais os principais desafios superados ao longo?

R: Quando chegamos aqui, o SEFRAS não tinha ainda a visibilidade que tem hoje no território. O trabalho ainda não era tão reconhecido, até porque o serviço de acolhimento na época era um serviço fechado. O pensamento em 2017, quando voltei, foi de construir um centro de convivência.

Logo, tivemos que abrir nossas portas e receber a comunidade. Para isso, acabamos precisando estar mais presentes com essas pessoas, então estávamos muito na rua, fazíamos (e ainda fazemos) muitas ações externas que compõem nossa identidade, mas no início precisamos abrir as portas e estar na rua mesmo junto com a população e poder divulgar o trabalho da Casa Santo Antônio. Por isso temos hoje uma identidade dentro do território, porque as pessoas conhecem o serviço. 

Não apenas a comunidade reconhece isso, mas o município e o poder público também. Tanto que somos convidados para participar de seminários, palestras e estamos envolvidos nos conselhos e espaços de controle social, participando, debatendo e discutindo sobre políticas públicas. Então hoje o SEFRAS tem uma visibilidade do seu trabalho, coisa que apenas seria possível com o passar do tempo.

Com essa participação nos espaços, e também das pessoas no nosso serviço, conseguimos perceber também que hoje as pessoas estão com o pensamento mais crítico relacionado aos seus direitos. Hoje essas pessoas sabem o caminho que precisam seguir.

Antigamente muitos do território não tinham acesso à política pública e não conheciam como chegar dentro dos espaços que precisavam para ir atrás de seus direitos. Esse também foi um desafio no início. Nós enquanto serviço, chamamos a comunidade para perto, realizando até hoje rodas de conversa e formação política. Fortalecemos isso com a comunidade e hoje percebemos que há um movimento também entre eles em relação a isso. Eles já tendo essa consciência, sabem que precisam estar nos espaços, precisam correr atrás de seus direitos e estão procurando estar inseridos em lugares que discutem e debatem sobre política pública. Foi algo também que conseguimos construir e hoje vemos que é uma coisa que superamos.

Há alguma história que te marcou durante seu trabalho na Casa Santo Antonio?

R: História que me marcou durante o trabalho aqui na casa, foi na época do serviço de acolhimento. Me recordo que na época a gente atendia entre 20 a 30 crianças, e tinha um grupo muito particular de irmãos em que todos tinham uma deficiência intelectual. Com eles fui aprendendo a estar mais próximo desse público, e criando também um carinho e um afeto muito grande, porque era uma realidade que a gente ainda não tinha apropriação e fomos aprendendo no dia a dia a lidar com toda essa diferença e diversidade. 

O serviço de acolhimento era um desafio muito grande por ter várias histórias, histórias que cada acolhido trazia, e o desafio era conseguir lidar com tudo e ao mesmo tempo reconhecer que cada ser é subjetivo, tem as suas especificidades. Então o que me marcou muito foi esse serviço, que quando cheguei aprendi muito, fomos construindo várias coisas de forma coletiva e o que me marcou foi muito esses irmãos. Porque a gente criou um afeto muito grande e começamos a inserir todas essas crianças, principalmente essas que tinham deficiência, no acesso à educação, ao lazer, à cultura e vimos o desenvolvimento de cada um. Quando percebemos, essas crianças estavam muito bem, já tinham outro comportamento, outra visão de realidade e isso foi o que me marcou muito, ver essa possibilidade de efetivação do trabalho.

O que o reconhecimento significa pra você, tanto pessoal quanto profissionalmente?

R: Eu vejo que nada é feito sozinho, não é possível construir nada sozinho, precisamos de braços para podermos ir adiante. Para mim esse reconhecimento significa realmente o coletivo, significa participação, engajamento, comprometimento. Diante de tudo isso, vejo que todos esses itens colaboram para o reconhecimento, então eu fico muito feliz de ver que o que a gente tem feio tem impacto de alguma forma tanto nas pessoas, e chamado atenção também de outros e de outras instâncias. Porque é isso, acho que o ser franciscano tem uma essência muito forte. O ser franciscano trás isso de você fazer pelo outro, de chamar para perto, de você acolher, cuidar e defender. Então estamos aqui nesse objetivo e feliz por tudo o que tem acontecido, tudo que a gente tem construído e tudo que a gente ainda vai construir. Pensando no agora e no que a gente quer ainda mais para frente.

O Dia Internacional da Juventude

O Dia Internacional da Juventude, data instituída pela Organização das Nações Unidas – ONU em 1999, foi criado com o objetivo de conscientizar os jovens sobre a importância da criação de diretrizes e movimentos políticos que apoiem a melhoria da qualidade de vida e debatem mudanças e desafios enfrentados pela juventude mundial.

Como apontado na matéria “A luta da juventude no pós pandemia”, produzida pelo SEFRAS, embora o dia seja de comemoração, a realidade dos jovens do Brasil não tem muito o que celebrar. De acordo com dados publicados pela  Organização Internacional do Trabalho (OIT), um em cada quatro jovens no Brasil, entre 15 e 24 anos, nem trabalha nem estuda.

Essa situação deixa o Brasil em uma condição pior que a média mundial, onde o desemprego jovem atinge 14,2% em 2022. Na Europa e Ásia Central, a taxa de desemprego para esse grupo da sociedade foi de 16%. Na Ásia, a taxa prevista para o ano é de 14,9%. O Brasil também apresenta uma taxa mais elevada que a média da América Latina, onde o desemprego da população entre 15 e 24 anos é estimado em 20%.

Outro ponto que chama atenção na pesquisa é o fato de que, embora os números brasileiros sejam praticamente os mesmos que os anteriores da pandemia, a disparidade entre os sexos aumentou e é considerada preocupante. Hoje, essa desocupação é a realidade para 28% das mulheres, contra 18% dos homens.

Os dados mostram que em tempo de crise, mesmo entre a população vulnerável, existe uma segmentação entre quem tem menos oportunidades. Historicamente as mulheres – principalmente em áreas periféricas e pretas – sempre ficaram em desvantagem de oportunidades como consequência de uma política pública pobre em informação, saúde e educação para essas pessoas.

Ainda que muitos dos dados relacionados à juventude apontem números assustadores, uma pesquisa de 2021 feita pela UNICEF em parceira com a Gallup em 21 países apontou que os adolescentes e jovens brasileiros estão mais otimistas quanto ao futuro do que os adultos.

A pesquisa aponta que 31% dos adolescentes e jovens brasileiros acreditam que o mundo está melhorando, contra 19% dos adultos. “Não faltam motivos para o pessimismo no mundo de hoje: mudança climática, pandemia, pobreza e desigualdade, aumento da desconfiança e crescimento do nacionalismo. Mas aqui está um motivo para otimismo: adolescentes e jovens se recusam a ver o mundo através das lentes sombrias dos adultos”, afirmou a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “Em comparação com as gerações mais velhas, adolescentes e jovens do mundo permanecem esperançosos, com uma mentalidade muito mais global e determinados a tornar o mundo um lugar melhor. Eles se preocupam com o futuro, mas se veem como parte da solução”.

O SEFRAS

O SEFRAS é uma organização humanitária que luta todos os dias no combate à fome, a violações de direitos e inserção econômica e social de populações extremamente vulneráveis: pessoas em situação de rua, crianças pobres, imigrantes e refugiados, idosos sozinhos e pessoas acometidas pela hanseníase. Guiados pelos valores franciscanos de Acolher, Cuidar e Defender, atende mais de 4 mil pessoas todos os dias no Brasil. Seus serviços diários promovem apoio social e jurídico para população em situação de rua, acolhimento e inclusão social de imigrantes, contraturno escolar para crianças e adolescentes, convivência e proteção de idosos, além de ações de defesa dos direitos e melhoria de políticas públicas voltadas a esses grupos.

Para ajudar quem tem fome na cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, o Sefras atua distribuindo mais de 2 mil refeições diariamente, além de distribuir cestas básicas, itens de higiene e cobertores e roupas de frio.

Faça parte dessa corrente de solidariedade doando itens , em São Paulo, no Chá do Padre, na Rua Riachuelo, 268 – Centro. Tel: (11) 3105-1623 e no Rio de Janeiro na Tenda Franciscana no Largo da Carioca, s/ n, Centro.

Você também pode doar qualquer quantia pelo nosso site ou pelo pix: sefras@sefras.org.br.

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